3.5.12


Era o tempo das tempestades.
Chovia na rua e o vento soprava arrastando tudo com ele. As folhas das árvores secas pelo sol de verão caíam desesperadamente no chão e pouco tempo ali estavam para então entrarem numa dança frenética, em redemoinhos e lançando-se no ar como que a loucura até ali chegasse. Depois através das poças de água acumuladas nas ruas, passos apressados de gente olhando em volta como se o mundo terminasse ali nesse momento. De olhos esbugalhados e rosto comprimido pelo ar frio da manhã parecia uma marcha de robots que passavam pelas ruas.
Por entre a janela ela olhava minuciosamente o espectáculo.
A chuva caía na rua disparatadamente, os carros ao passarem levantavam ondas de água suja encharcando as pessoas nos passeios, crianças choravam molhadas pela chuva intensa e pelo medo que viam nos olhos dos pais.Passou o tempo, o céu ficou azul, amansou a chuva e o vento. As folhas das árvores cansadas da dança louca descansavam formando montes no chão. O sol mostrou-se por detrás de uma nuvem e todos olharam o céu. Aos poucos os rostos crispados dos adultos iam-se transformando em unicamente rostos cansados, as crianças não choravam, pulavam entre as poças de água e os montes das folhas. O vento, suave e frio, tornava o nariz das crianças, vermelhos, e elas riam porque agora era o tempo da calmaria, da mansidão e a vida continuava como sempre.
Ela espreitava pela janela olhando minuciosamente tudo o que via e duas, unicamente duas lágrimas corriam-lhe pelo rosto.    

Nenhum comentário:

Postar um comentário