que se fecha
em quase lágrima.
Nos olhos
o sentir apertado
de quem ama o Mundo
como que a um filho
que cresceu demasiado
e esqueceu.
Há um qualquer brilho,
que em fumo ténue
rodeia a pele,
rodopiando
em espirais de contratempo.
No explodir branco
vê-se que a Alma
dançava em seu redor
ficando gravada
no brilho cego
da fotografia.
Vejo-a conversar
e aninhar-se
o melhor possível
no dias.
Vejo-a agora
como os outros a vêem
mas sei-lhe algo mais,
muito maior,
mais profundo
e delicadamente impronunciável.
Olho a fotografia
e sei o momento
em que transbordou de si
para o peito
os olhos
e vozes
e cicatrizes
dos Outros.
Sei o momento
em que alcançou universos
e os acolheu em si.
Poetisa
no silêncio
e nos gestos.
João Silveira ( sem data)
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