4.5.12


Estava sentado num banco do jardim do hospital. Esperava pelo momento em que poderia vê-la. Num silêncio profundo de emoções parecia estar ausente deste mundo, mas, de olhos fechados, o coração batia apressadamente enquanto recordava todos os momentos que já tinham vivido. Não tinha sido fácil a vida deles, desde o início que os problemas pareciam nascer do nada e a todo o momento, mas ele tinha a certeza que só o Amor que os unia podia combater todas as dificuldades, e já eram quarenta anos juntos, uma vida a dois que parecia ter começado ontem. Ainda sentia os joelhos tremerem quando ela aparecia ao seu encontro, o seu sorriso por vezes cansado enchia-lhe o rosto sempre que o via, e como era bom passearem de mão dada pelas ruas ignorando os olhares das pessoas que passavam. Agora sentia-se estranho, como se lhe faltasse algo do seu corpo, a alma vazia, triste. Medo. Medo era o que ele tinha, nem queria pensar que poderia ficar sozinho. Lentamente levantou-se do banco enquanto limpava os olhos de uma lágrima teimosa. Entrou no edifício frio como todos os hospitais, passou por uma porta onde dizia Capela, entrou e pela primeira vez pediu-LHE que tomasse conta dela. Saiu com a sensação de que ela estava mais protegida e subiu as escadas.
Ao fundo do corredor, imenso corredor, apareceu uma cama vinda lá de baixo, do bloco operatório. Quis ir lá mas o seu corpo não obedecia, olhou com mais atenção e vindo na sua direcção, um rosto cansado, dorido, mas com um sorriso que lhe enchia o rosto. Era ela, o coração batia de alegria que parecia romper o peito, as pernas tremiam e quase dançava de alegria. Tudo estava bem, iria estar bem.Depois de a deixar a dormir voltou lá, ELE, ali estava parecia que também se ria para ele. Agradeceu-LHE.
Quando saiu vinha a cantar uma música só deles

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