Estava
sentado num banco do jardim do hospital. Esperava pelo momento em que poderia
vê-la. Num silêncio profundo de emoções parecia estar ausente deste mundo, mas,
de olhos fechados, o coração batia apressadamente enquanto recordava todos os
momentos que já tinham vivido. Não tinha sido fácil a vida deles, desde o
início que os problemas pareciam nascer do nada e a todo o momento, mas ele
tinha a certeza que só o Amor que os unia podia combater todas as dificuldades,
e já eram quarenta anos juntos, uma vida a dois que parecia ter começado ontem.
Ainda sentia os joelhos tremerem quando ela aparecia ao seu encontro, o seu
sorriso por vezes cansado enchia-lhe o rosto sempre que o via, e como era bom
passearem de mão dada pelas ruas ignorando os olhares das pessoas que passavam.
Agora sentia-se estranho, como se lhe faltasse algo do seu corpo, a alma vazia,
triste. Medo. Medo era o que ele tinha, nem queria pensar que poderia ficar
sozinho. Lentamente levantou-se do banco enquanto limpava os olhos de uma
lágrima teimosa. Entrou no edifício frio como todos os hospitais, passou por
uma porta onde dizia Capela, entrou e pela primeira vez pediu-LHE que tomasse
conta dela. Saiu com a sensação de que ela estava mais protegida e subiu as
escadas.
Ao
fundo do corredor, imenso corredor, apareceu uma cama vinda lá de baixo, do
bloco operatório. Quis ir lá mas o seu corpo não obedecia, olhou com mais
atenção e vindo na sua direcção, um rosto cansado, dorido, mas com um sorriso
que lhe enchia o rosto. Era ela, o coração batia de alegria que parecia romper
o peito, as pernas tremiam e quase dançava de alegria. Tudo estava bem, iria
estar bem.Depois de a deixar a dormir voltou lá, ELE, ali estava parecia que
também se ria para ele. Agradeceu-LHE.
Quando
saiu vinha a cantar uma música só deles
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