3.5.12

Depressão


Todos os dias corriam da mesma forma, sempre iguais, sempre enfadonhos e depois a chuva, há quantos dias chovia? Talvez um mês ou uma semana, não sabia mas era muito tempo. Tudo em si o aborrecia, desde o cabelo aos sapatos cansados de tantas idas e vindas quase sempre ao mesmo sítio, e depois a chuva, sempre a cair, molhava estupidamente os vidros do velho carro que quase não conseguia mantê-los visíveis. Cansado, cansado de si, da vida, das pessoas não parava. Se viesse um pouco de sol…era uma esperança que o deixava ir vivendo os dias olhando o céu, espreitando por entre as nuvens escuras, carregadas de água, uma luzinha, uma réstia de sol. E depois a chuva, nunca parava e já começava a sentir que mesmo que não chovesse, a chuva continuava na sua cabeça, no seu olhar no seu corpo, se ao menos ela parasse. Sentia-se velho e no entanto a idade não era muita mas sentia que não passava de um velho. E depois a chuva não parava nunca. Os amigos já o cansavam, sempre as mesmas perguntas e as conversas não pareciam ter mais temas do que os de sempre e nunca tinham fim, sempre o mesmo café á noite, as pessoas, os ruídos, os cheiros, como se sentia cansado, enjoado talvez fosse adequado ao que sentia, o estômago enrolava-se sempre que tudo isto acontecia, o trabalho, as pessoas, os amigos, as idas ao café, as saídas enfim a vida, e depois a chuva que não parava mesmo que houvesse sol. 

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